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	<title>Def Yuri</title>
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		<title>Da defesa comunitária à opressão</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 16:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória do Viva Favela]]></category>
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		<description><![CDATA[  Existem milhares de gangues de rua pelo mundo, nos mais diferentes países e das mais diferentes etnias. Aqui vai um pouco da história das duas mais conhecidas: as estadunidenses Crips e Bloods. Do meio para o final dos anos 60, Los Angeles ainda estava sob a influência da luta pelos direitos civis e por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=153&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="color:black;"><a href="http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_rev_0002.htm?search%5Fby%5Fmonth%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;keywords=&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fyear%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;editionsectionid=2&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fday%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fyear%5Ffrom=&amp;user=reader&amp;search%5Fby%5Fday%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;infoid=25628"><strong></strong></a></span></span></span></div>
<p> </p>
<div></div>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR"></p>
<div id="attachment_169" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-169" title="artigo-guerra-5" src="http://defyuri.files.wordpress.com/2009/01/artigo-guerra-52.jpg?w=420" alt="gangues rivais ocupam a cidade"   /><p class="wp-caption-text">Mapa de Compton: gangues rivais ocupam a cidade</p></div>
<p>Existem milhares de gangues de rua pelo mundo, nos mais diferentes países e das mais diferentes etnias. Aqui vai um pouco da história das duas mais conhecidas: as estadunidenses Crips e Bloods.</p>
<p><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Do meio para o final dos anos 60, Los Angeles ainda estava sob a influência da luta pelos direitos civis e por justiça. Uma crescente onda de violência assolava os bairros negros, tendo como marco a revolta popular de Watts (ocorrida em 1965).</span></p>
<p></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Neste cenário conturbado em parte devido à rivalidade entre as gangues do lado leste e oeste, e também pela ausência de serviços básicos como educação e segurança, alguns jovens negros resolveram criar uma milícia de defesa &#8221;quase política&#8221; , inspirada nos &#8221;Black Panthers&#8221; para lhes trazer a sensação de segurança e para defender a população do seu bairro. Nascia assim os &#8220;The Baby Avenues&#8221;. Nessa época conhecida como o &#8220;ressurgimento das gangues&#8221;, os conflitos já não seriam como no passado &#8220;inter-raciais&#8221;. Passariam a ser &#8220;intra-raciais&#8221;.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><strong><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Fim da retórica revolucionária<br />
</span></strong><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR"><br />
Logo em seguida os &#8220;The Baby Avenues&#8221; ficariam conhecidos por &#8220;Baby Crips&#8221;. Porém, também já existiam ramificações como Inglewood Crips, West Side Crips of Avalon&#8230; Algumas versões dão conta de que o nome Crips é em decorrência do filme &#8220;Contos da Cripta&#8221;. Outras de que o nome era &#8220;Cribs&#8221; e que teria mudado graças a um grande jornal local que na divulgação de um dos primeiros assassinatos &#8220;badalados&#8221; trocou o nome para Crips. Mas a retórica revolucionária não resistiu. Devido à imaturidade e à falta de liderança política entre esses jovens, que nunca estiveram aptos para desenvolver uma agenda política eficiente, para promover mudanças sociais na comunidade.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">O certo é que o poder e as armas levaram essa milícia que almejava uma forte vigilância e defesa comunitária a buscar vôos mais altos, e a mudar seu objetivo. Em pouco tempo o controle de parte do tráfico de drogas e de armas tinha sido conquistado. Estes passaram a agir exatamente da mesma forma que os principais opressores das suas comunidades.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">No começo de 1971, os Crips eram praticamente hegemônicos. Digo praticamente pois os que não seguiam essa cartilha e, portanto, eram considerados inimigos, começaram a se reunir e a partir da reunião de quatro gangues &#8211; Pirus, L.A Brims, Bishops e Denver Lanes &#8211; a resposta foi criada. Seu nome: Bloods.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Os dois grupos operavam inicialmente em três cidades: Compton, Inglewood e Los Angeles. Em pouco tempo todo o Condado de Los Angeles foi sendo fatiado e delimitado. Os grafites não indicavam apenas os limites. Serviam também para lembrar fatos ocorridos e sinalizavam as ameaças de fatos que ainda viriam a acontecer. Anos depois o gangsta rep também cumpriria essa mesma função.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Desde os anos 80, tanto Crips quanto Bloods já invadiam Nova Iorque, oriundos da antiga Honduras britânica, atual Belize (América Central), de onde seguiam diretamente para a Costa Leste, especialmente Flórida, Carolina do Norte, do Sul, Geórgia, Nova Jérsei e Nova Iorque.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">Em 1989, diversas famílias oriundas do Belize chegaram ao bairro nova-iorquino do Harlem e, em pouco tempo, jovens e adultos criaram o Harlem Mafia Crips que foi o primeiro, logo seguido pelos 30&#8242;s Rolling Crips, 92 Hoover e 60&#8242;s Crips Crips&#8230;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">O caminho percorrido pelos Bloods não foi muito diferente, com exceção para os componentes. Além dos negros, juntaram-se também hispânicos, brancos, gregos e chineses que formam as gangues Nine Trey Gangsta Bloods, Young Bloods, Valentine Bloods, Mad Dog Bloods, 5-9 Brims, entre outras, cuja união culmina com a United Blood Nation (Nação Unida do Sangue), e que praticamente controla as prisões de Nova Iorque.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">A utilização de cores estranhas a determinadas comunidades e/ou a má interpretação dos sinais resultavam em punições implacáveis aos incautos. Quem teve a oportunidade de assistir ao filme As Cores da Violência (Colors) talvez se lembre que o vilão do filme, o Foguete (Rocket), e seus comparsas só se vestiam de azul. Portanto, era uma alusão aos Crips. Mais especificamente aos Playboys, um dos mais temidos grupos Crips nos anos 80.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;" lang="PT-BR">No filme, determinados posicionamentos não são muito bem explicados. Cabe ressaltar que o filme mostra as gangues através da visão dos personagens/policiais. Portanto, a visão do &#8220;opressor&#8221; sobre o &#8220;oprimido&#8221;. Durante o período que esse filme ficou em cartaz ocorreram inúmeros confrontos entre gangues em todo os EUA.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Mas a luta por poder em Los Angeles só foi freada (parcialmente) durante o episódio Rodney King &#8211; motorista negro que não cumpriu a ordem de parar o carro durante uma blitz e em decorrência disso foi violentamente espancado por policiais brancos em 1991. A absolvição dos policiais no ano seguinte deu início a uma das maiores insurreições negras das Américas que resultou na morte de 50 pessoas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR">A partir daí os Crips e Bloods lançaram um manifesto onde fizeram um pacto de não agressão e, após, entraram em violentos choques com a LAPD (Los Angeles Police Departament &#8211; Departamento de Polícia de Los Angeles) e a Guarda Nacional estadunidense. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR">É bom lembrar que um dos policiais envolvidos nesse episódio teve a companhia, durante as várias etapas do julgamento, de um amigo bastante conhecido das gangues e da cena rep mundial. Seu nome é Eric Wright ou, simplesmente, Eazy E. Na época ainda vocalista do principal expoente da gangsta music, o NWA (Niggaz With Attitude / Crioulos com Atitude), e dono da gravadora Ruthless. Parece que foi ontem: pela TV, no jornal de fim de noite. O policial saindo do tribunal festejando, abraçado ao amigo famoso. Esse mundo é meio louco, né?</span></span><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;color:black;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Passado esse conflito essa união conseguiu render até a criação de um grupo de rep chamado Crips and Bloods. Chegaram mesmo a fazer show em São Paulo. Essa calmaria não significou uma paz completa. Volta e meia acontecem alguns confrontos e o ano de 2002 passou com a possibilidade de a guerra voltar com força total. E assim seguem as violações, roubos de carro, extorsões, assassinatos e principalmente a luta pelo controle do comércio das drogas e armas. E o fornecimento de material humano para as prisões e para os corredores da morte.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">Leia mais:</p>
<p><a href="http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_rev_0016.htm?search%5Fby%5Fyear%5Fto=&amp;infoid=29126&amp;search%5Fby%5Fday%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;user=reader&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;search%5Fby%5Fday%5Fto=&amp;editionsectionid=16&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fyear%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Fto=&amp;keywords=guerra+nao+declarada"><strong><span style="color:#000080;">Guerra não declarada</span></strong></a></p>
<p><a href="http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_rev_0002.htm?search%5Fby%5Fmonth%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;keywords=&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fyear%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all&amp;editionsectionid=2&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fday%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fyear%5Ffrom=&amp;user=reader&amp;search%5Fby%5Fday%5Fto=&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;infoid=25628"><strong><span style="color:#000080;">Nova Iorque e Los Angeles, uma rivalidade de fachada</span></strong></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/153/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/153/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=153&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Guerra não declarada</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 13:53:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Após ou em meio as tormentas, uma das coisas que mais me deixa orgulhoso e motivado é o fato de saber que diferentes artigos por mim escritos estão sendo usados como peças fundamentais para diferentes trabalhos. Digo isso pois sempre reclamei da carência de textos que subsidiassem pesquisas e trabalhos que envolvem a cultura Hip [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=136&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Após ou em meio as tormentas, uma das coisas que mais me deixa orgulhoso e motivado é o fato de saber que diferentes artigos por mim escritos estão sendo usados como peças fundamentais para diferentes trabalhos. Digo isso pois sempre reclamei da carência de textos que subsidiassem pesquisas e trabalhos que envolvem a cultura Hip Hop e suas diferentes nuances.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Saber que estamos gerando fundamentos sem cortes e sem deturpações me traz a esperança de que as coisas mudem. Dentre os vários artigos que volta e meia recebo mensagens de reconhecimento, um dos mais constantes é justamente uma matéria especial publicada em janeiro deste ano no <strong><span style="font-family:Arial;"><a href="http://www.vivafavela.com.br">Viva Favela</a>,</span></strong> que reproduzo abaixo<strong><span style="font-family:Arial;">.</span></strong> Nele, falo sobre duas corporações do crime estadunidense, falo dos <em><span style="font-family:Arial;">Crips &amp; Bloods,</span></em> da “Gangland”, digo, de Los Angeles.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">É bom saber que as pessoas consideram o texto um verdadeiro mergulho nas entranhas desses grupos, que quer queiram ou não têm parte da sua história confundida com a difusão mundial do Hip Hop.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Fico feliz de estar contribuindo com os trabalhos de várias pessoas de todo o Brasil, é importante saber que muitos consideram este trabalho uma referência para consulta. Espero que as pessoas usem da melhor maneira e assim possamos prosseguir construindo e ajudando a manter viva a nossa história local e universal.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Entao mais uma vez peço que continuem divulgando os artigos e me enviando mensagens sobre outros assuntos abordados, terei a maior satisfação em interagir com vocês leitores.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Muito obrigado e é isso.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Asé.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"> </span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><strong>Guerra não declarada</strong></span></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><img class="alignleft size-full wp-image-138" title="artigo-guerra-11" src="http://defyuri.files.wordpress.com/2009/01/artigo-guerra-11.jpg?w=420" alt="artigo-guerra-11"   />Dentre os vários temas que perpassam o imaginário dos adeptos e aficcionados da cultura Hip Hop, um em especial se destaca: o das gangues, principalmente as estadunidenses. No Brasil é praticamente inexistente algum indivíduo que não tenha tido essa influência, e alguns até conheceram a cultura Hip Hop através de informações que absorveram em filmes como <em><span style="font-family:Arial;">As Cores da Violência</span></em> (Colors), <em><span style="font-family:Arial;">Os Donos da Rua</span></em> (Boyz n&#8217; the Hood) e a <em><span style="font-family:Arial;">América do Medo </span></em>(La Eme). </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">Ou através de artistas como NWA (Niggaz With Attitude), Ice T, CMW (Compton Most Wanted), Eazy E, Dr Dre, Tupac, DOC, Above The Law, King T, Kid Frost, Da Lench Mob, Bone Thugs and Harmony, Dj Quik, Snoopy Dogg Dog e por aí vai.</span></span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">O Hip Hop é um traço muito forte na cultura das gangues. Em contrapartida, as gangues são apenas um dos milhares de traços que compõem o universo Hip Hop. Lembro de inúmeros bate-papos sobre as origens das gangues estadunidenses. Volta e meia tive acesso às mais variadas informações sobre o tema. Lembro uma vez de afirmar que as californianas Crips e Bloods &#8211; as mais conhecidas do mundo &#8211; não eram simples gangues e sim autênticas organizações criminosas das ruas. Muitos não acreditaram, criticaram, falavam e <span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">gangues e sim autênticas organizações criminosas das ruas. Muitos não acreditaram, criticaram, falavam e até hoje ainda falam.</span></span></span></span></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"> </span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"> </span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"> </span></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"> </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:left;">
<div style="text-align:left;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Pode parecer incrível, mas muitas pessoas formam a opinião somente por informações visuais de filmes e videoclipes e não buscam se aprofundar no assunto. Se se aprofundassem teriam noção de alguns equívocos que são copiados.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Tanto Crips como Bloods espalharam seus ideais e símbolos pelo mundo. Seja através de processos migratórios ou de filmes, clipes de rep gangsta e também de outros ritmos que servem de trilha sonora para essas gangues negras de Los Angeles, como o Punk Rock, o Hardcore e músicas tradicionais. Posso citar como um bom exemplo a banda de Punk Rock <em><span style="font-family:Arial;">Offspring</span></em> e seu orgulho Bloods.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Vale lembrar que a vertente do rep, que é o principal veículo de comunicação das gangues, era chamado <em><span style="font-family:Arial;">gangsta. </span></em>Obteve grande sucesso pelo mundo inteiro com sua glorificação das armas, violência, drogas e autodestruição, atendendo assim em cheio aos interesses da grande indústria que não aceitava o chamado rep político, de denúncia e da busca por direitos.</span></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">O <em><span style="font-family:Arial;">gangsta</span></em> muito contribuiu para a diversificação musical do rep, porém o cerebral, eu afirmo, foi para o espaço! Serviu também para dar uma nova dimensão aos jovens brancos que cultuavam tanto a cultura das gangues, como esta vertente do rep. Estes ficaram conhecidos como <em><span style="font-family:Arial;">wiggaz</span></em> ou <em><span style="font-family:Arial;">crioulos brancos</span></em> (existe até um filme chamado Wiggaz, de 2002, que pode ser utilizado como referência). Nos dias de hoje já se fala inclusive dos <em><span style="font-family:Arial;">White Crips</span></em>.</span></p>
<div></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"></p>
<p style="margin-bottom:12pt;"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Funk e rap </span></strong>  </p>
<p></span></p>
<p style="text-align:left;">
<table class="MsoNormalTable" style="margin:auto -2.25pt;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" align="left">
<tbody>
<tr>
<td style="background-color:transparent;border:#d4d0c8;padding:1.5pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:left;margin:0;"> </p>
</td>
</tr>
<tr>
<td style="background-color:transparent;border:#d4d0c8;padding:1.5pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;margin:0;" align="center"> </p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><img class="alignleft size-full wp-image-140" title="artigo-guerra-2" src="http://defyuri.files.wordpress.com/2009/01/artigo-guerra-2.jpg?w=420" alt="artigo-guerra-2"   />Analisando friamente posso dizer que existem muitas semelhanças entre as organizações criminosas negras de Los Angeles e as facções cariocas do tráfico: cores, símbolos, grifes, ostentação, armas&#8230; a única diferença real é no que diz respeito à música. Lá o som principal é o rep. Aqui é o Miami Bass ou funk proibidão. Muitos até tentam maquiar e dizer que o pessoal daqui escuta rep. Isso é mentira. Talvez uma meia dúzia escute. E nem com toda a capacidade de criação, manipulação, delírio e fantasia conseguiram até o momento mudar essa realidade. Além disso, em termos de violência, penso que os daqui são &#8220;mais criativos&#8221; com os seus <em><span style="font-family:Arial;">bondes</span></em> (ou &#8220;drive by&#8221; coletivos, dependendo do ponto de vista) e microondas.</span></div>
<p style="text-align:left;">
<div style="text-align:left;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Não vou aqui julgar os aspectos negativos. Apenas pretendo contribuir para que pretensos estudiosos e aficcionados tenham a noção das influências dessas gangues e possam pesquisar com mais afinco assuntos que interessam à coletividade Hip Hop. Muitos no Brasil não sabem as origens dos seus trejeitos, gestos, do seu vestuário e muito menos seus significados. Mas lá fora&#8230; Cada uma dessas organizações tem suas respectivas cores e marcas.</span></div>
<div><strong></strong></div>
<div><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Cães, tatuagem e dialetos</span></strong></div>
<p>Os Crips têm como identificação a cor azul e a adoração pela marca de tênis British Knigths (Cavaleiros Britânicos) cujo nome ganha outro significado <em><span style="font-family:Arial;">Blood Killaz</span></em> (Matadores de Bloods). Já os Bloods utilizam o vermelho. O que muitos não sabem é que bem antes dessas cores ganharem as ruas ainda nas prisões no fim dos anos 50 elas já simbolizavam a Nuestra Familia (Vermelho) e a La Eme (Azul), respectivamente, nos dias atuais, Nuestra Raza (ou Nortenos) e La Eme Original (ou Surenos), que são organizações de origem mexicano-estadunidense.<img class="alignright size-full wp-image-141" title="artigo-guerra-3" src="http://defyuri.files.wordpress.com/2009/01/artigo-guerra-3.jpg?w=420" alt="artigo-guerra-3"   /></p>
<p style="text-align:left;">Para vocês terem uma idéia de como os símbolos e regras são seguidos à risca: um indivíduo que pertence <span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">ao Crips jamais falará ou escreverá alguma coisa com a letra &#8220;B&#8221; . Esta será trocada pelo &#8220;C&#8221; . O mesmo ocorrerá com um Bloods que nunca utilizará o &#8220;C&#8221;. Ex: &#8220;cigarette muda para bigarette&#8221;. E se tiver que escrever alguma coisa com essa letra a mesma será escrita ao contrário, ou riscada, ou ainda transpassada por um tridente apontado para baixo. Existe até uma bíblia própria denominada B. L. O .O .D (<em><span style="font-family:Arial;">Blood Love Overcome Our Depressions</span></em>, algo como O Amor do Sangue Supera as Nossas Depressões).</span></p>
<p style="text-align:left;">
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Além disso existem expressões que só são usadas por um grupo. Por exemplo, jamais um componente dos<em><span style="font-family:Arial;"> </span></em>Crips <img class="alignright size-full wp-image-139" title="artigo-guerra-4" src="http://defyuri.files.wordpress.com/2009/01/artigo-guerra-4.jpg?w=420" alt="artigo-guerra-4"   />escreverá ou falará O.G (Original Gangster &#8211; Gângster Original). Ou mesmo chamará um amigo ou amigos de &#8220;cachorro&#8221; ou &#8220;cães&#8221; (Dogs), pois ambas são expressões características dos Bloods. Os Crips se tratam um ao outro pelo termo &#8220;cuzz&#8221; e se auto-intitulam &#8220;Gee&#8217;s&#8221; (Gângsters).</span></div>
<p style="text-align:left;">
<div style="text-align:left;"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Outros símbolos bastante presentes são os pit bull&#8217;s para os Bloods, a <em><span style="font-family:Arial;">Eight Ball</span></em> (bola preta da sinuca) para os<em><span style="font-family:Arial;"> </span></em>Crips, as tatuagens e os sinais feitos com os dedos e mãos que, juntamente com os dialetos diferenciados, escritas próprias e as cores, são muito importantes para a identificação dos componentes de cada um dos grupos. A principal característica de um Crip é o individualismo.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Já em um Blood o traço principal é a arrogância. Ambas as organizações têm uma verdadeira devoção pelo ódio mútuo, por armas automáticas de assalto e duelos sobre rodas &#8211; também conhecidos por Drive By &#8211; quando os ataques são feitos a bordo de carros. <span style="font-size:10pt;font-family:Arial;">O grupo de rep CMW (Compton Most Wanted) tem um álbum chamado &#8220;Music for drive by&#8221; . </span></span></div>
<div></div>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"></p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Apesar de não comungar das idéias afirmo que musicalmente este é um dos melhores álbuns que já ouvi e seus efeitos são devastadores &#8211; não tenho como descrever: procurem e ouçam. </span><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Para muitos ter informação e tentar repassá-la é &#8220;criar&#8221; e &#8221;inventar&#8221; . Para mim, pelo contrário, temos o dever de &#8220;criar&#8221; meios para repassar as informações adquiridas, mesmos se nós não compartilharmos dos pensamentos, pois as histórias devem ou deveriam ser contadas, resgatadas e compreendidas. Mas nem todos têm capacidade ou interesse em fazer isso.</span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Na minha opinião os Crips e Bloods com o seu ódio e seu extermínio mútuo prestam um grande serviço aos racistas e supremacistas brancos em geral. No final das contas são negros matando negros &#8211; iguais sobrepondo iguais.</span></div>
<p></span></p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"></span></p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"></span></div>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR">Leia mais: </span></span></div>
<p> </p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"></span></p>
<div><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><a href="http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_rev_0002.htm?search%5Fby%5Fyear%5Fto=&amp;infoid=25627&amp;search%5Fby%5Fday%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;user=reader&amp;editionsectionid=2&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fday%5Fto=&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Fby%5Fyear%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Fto=&amp;keywords=guerra+nao+declarada&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all" target="_self"><strong><span style="color:#000080;">Da defesa comunitária à opressão</span></strong></a> </span></span></div>
<p><span style="font-size:7.5pt;font-family:Verdana;" lang="PT-BR"><strong><span style="font-size:7.5pt;font-family:Verdana;" lang="PT-BR"><strong><span style="font-size:10pt;font-family:Arial;" lang="PT-BR"><a href="http://www.vivafavela.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_rev_0002.htm?search%5Fby%5Fyear%5Fto=&amp;infoid=25628&amp;search%5Fby%5Fday%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fpriority=all&amp;search%5Fby%5Fsection=all&amp;user=reader&amp;editionsectionid=2&amp;search%5Fby%5Ffield=tax&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fday%5Fto=&amp;query=simple&amp;search%5Fby%5Fstate=all&amp;search%5Fby%5Fyear%5Ffrom=&amp;search%5Fby%5Fmonth%5Fto=&amp;keywords=guerra+nao+declarada&amp;search%5Fby%5Fheadline=false&amp;search%5Fby%5Fauthorname=all"><strong><span style="color:#000080;">Nova Iorque e Los Angeles, uma rivalidade de fachada</span></strong></a></span></strong></span></strong></span></p>
<p><span style="font-size:7.5pt;font-family:Verdana;" lang="PT-BR"><strong><span style="font-size:7.5pt;font-family:Verdana;" lang="PT-BR"><strong>Artigo publicado no</strong> <a href="http://www.vivafavela.com.br"><strong>Viva Favela</strong> </a>| <span style="font-size:7.5pt;font-family:Verdana;" lang="PT-BR">A</span>utor: <strong>Def Yuri</strong> | <strong>22/07/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></strong></span></div>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/136/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=136&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Outro lado do paraíso</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 20:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Este artigo é sobre uma das passagens mais marcantes da minha vida até o momento. Seguindo conselhos, os nomes das pessoas e locais diretamente envolvidos serão alterados para que os mesmos não sofram algum tipo de retaliação, incômodo ou coisa parecida. No último dia 17, fui para o Caribe, mais precisamente para a cidade de Cartagena de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=134&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Este artigo é sobre uma das passagens mais marcantes da minha vida até o momento. Seguindo conselhos, os nomes das pessoas e locais diretamente envolvidos serão alterados para que os mesmos não sofram algum tipo de retaliação, incômodo ou coisa parecida. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">No último dia 17, fui para o Caribe, mais precisamente para a cidade de Cartagena de Índias, Colômbia, patrimônio histórico da humanidade. O lugar é um dos mais bonitos que já vi; são praias, fortificações e construções preservadas, um verdadeiro museu a céu aberto. Sem falar do povo e seus costumes; estes, sem sombra de dúvida, são muito, mas muito parecidos com os nossos. Mas não falarei do paraíso&#8230; </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Saí do Rio torcendo para que pudesse conhecer algo a mais deste país vizinho, cujas informações desencontradas só aumentam o preconceito e a ignorância em todos nós, brasileiros. Fui convidado para participar como debatedor de uma mesa de controvérsias do Fórum Mundial Social Temático (de 16 a 20 de junho de 2003), cujo tema era: Guerra, economia e desenvolvimento. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">No dia 18, saí do hotel com várias coisas na cabeça além da apresentação da instituição da qual faço parte. Confesso que a minha fase, emocionalmente falando, não era das melhores. Mesmo assim, como diz o filósofo Wallid Ismail – tempo ruim o tempo todo. Alguns minutos no trânsito e cheguei ao centro de convenções de Cartagena, onde pude constatar todo rigor e clima “conflitante”: após revista pessoal e detetores de metal, foram 15 longos minutos até que o &#8220;terrorista&#8221; aqui pudesse ser corretamente identificado e credenciado. Só depois foi possível seguir para o auditório Barahona. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">A mesa era composta por acadêmicos da Espanha, Cuba e Colômbia, portanto eu era o único “alienígena”. Posso dizer que o resultado do debate foi além do esperado; foram 3 horas de atividade e a resposta do público presente foi muito boa. Pensem bem, uma língua diferente, um estilo diferente, mas o recado foi dado. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Quando estava indo embora, fui abordado por um casal negro de aparência muito simples. A mulher, que chamarei de Anastácia, foi logo me pedindo desculpas por não falar português. Respondi que não tinha problema e que tentaríamos nos entender. O homem, chamarei de Markus. Ela falou que ambos eram <em>desplazados</em> (desterrados ou deslocados) e, olhando nos meus olhos, aquela mulher de pouco mais de 1 metro e meio se transformou em gigante tal a energia que emanava. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Disse que eu era o único igual a eles naquele evento e que somente eu seria capaz de dar visibilidade ao problema dos <em>desplazados. A</em>quele pedido mais parecia um pedido de misericórdia, os olhos deles estavam marejados. Aquilo mexeu comigo, mexeu com a minha alma pois mesmo se nada me falassem, eu já estava propenso a ir até o inferno, quanto mais ouvindo o sofrimento da população de um bairro nas cercanias da cidade. Os pedidos de visita e ajuda até então tinham sido ignorados por muitos, pelos mesmos que discutiam à exaustão o tema dos <em>desplazados. </em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><em><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span><span style="font-family:Arial Unicode MS;"> </span></span></span></em><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Marquei para o dia seguinte a visita e ambos se mostraram felizes. Anastácia era mais comunicativa, Markus mais calado e eu percebia que analisava a minha fala e o meu interesse. Durante o resto da noite só consegui pensar naquilo e em como seria o dia seguinte. Não iria deixá-los na mão; é característica minha cumprir tudo aquilo a que me proponho. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">No dia 19, logo cedo tentei encontrar algum brasileiro a quem pudesse comunicar minhas intenções, mas não encontrei ninguém. E durante o café da manhã conversei com o Ignacio Aziz, da Anistia Internacional, Londres, que se mostrou muito interessado porém tinha compromissos e frisou que, apesar de tudo, eu poderia estar me metendo em uma região de conflito. Aliás, todos que encontrei e com quem especulei sobre o bairro &#8211; funcionários do hotel, acadêmicos, colombianos em geral -, todos sem exceção me colocaram parcialmente a par da situação de conflito, sem me passar maiores detalhes de como era o cenário real. O máximo que diziam era que o lugar era perigoso, porém os confrontos estavam na região rural (gravem isso). <span> </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Determinado, comuniquei a minha família e passei um e-mail para duas pessoas que além de meus “patrões”, considero meus amigos; falo de Pedro Strozemberg e Carlos Costa. Avisei que iria até uma região de conflito e, se até o dia seguinte pela manhã, não entrasse em contato era porque as coisas não tinham dado certo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Parti para o centro de convenções e um pouco depois da hora combinada encontrei Markus, que ficou feliz em me ver e foi logo perguntando se eu queria mesmo acompanhá-lo. Ele deve ter achado que eu iria pipocar (voltar atrás), mas eu disse que sim. Então, encontramos uma outra mulher, esta bem jovem e bela, que chamarei de Rosa. Saímos os três do centro de convenções e enquanto andávamos, eu olhava para ver se encontrava alguém conhecido para deixar um “rastro”, mas não consegui. Mencionei se iríamos pegar ônibus, eles disseram que não, pois demoraria muito e que, de táxi, eram só uns 20 minutos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Estando isso decidido, passamos a tentar pegar um táxi e praticamente todos os motoristas se negavam a ir ao local. Após um tempo, um motorista disse que nos levaria até o destino com a condição de nos deixar apenas na estrada. Falei para os dois que tudo bem. Ao entrar no carro, Markus queria que eu fosse ao lado do motorista, mas optei por ir no banco de trás, ao lado da Rosa. Essa escolha se deu pelo fato de que, se houvesse algum imprevisto, eu teria como oferecer algum tipo de reação, pois os dois homens estavam na frente e isso me permitia acompanhar o movimento de todos no carro. Assim fomos.</p>
<p></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Enquanto falávamos, eu anotava tudo e observava que a paisagem ia mudando incrivelmente; posso afirmar que o forte de São Filipe é o divisor entre a Cartagena turística e histórica e a real. Fomos seguindo por uma avenida que parecia não ter fim. O tempo passando e na minha cabeça só vinha o pensamento de que tinha me enfiado em uma furada e que não ia prestar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Afinal, gringo, sem falar o idioma, com três pessoas estranhas, e literalmente todos com quem tive contato anteriormente tentaram me demover da idéia desse “passeio”. O trânsito era muito complicado; vários ônibus coloridos, motonetas, carros, um verdadeiro caos. Lembrava aqueles filmes que mostram Saigon ou Ho chi mim, sabem do que estou falando? E os 20 minutos de táxi foram aumentando e aumentando, a paisagem do lado de fora estava cada vez mais diferente – definitivamente colombianos, mineiros e gaúchos têm um sério problema com distância e tempo, tudo é sempre logo ali&#8230; Logo ali depois do fim do mundo. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Enfim, chegamos ao fim da avenida, entramos à direita em um trevo e, a partir de então, só tinha verde, fazendas, plantações. Definitivamente eu estava em uma área rural (lembram do que pedi para gravar anteriormente?). Após um tempo na estrada, posso dizer que meus nervos estavam a ponto de explodir, tal a adrenalina. A cada aproximação de curva, uma idéia nada boa me passava pela cabeça. Enfim, paramos na estrada em um lugar no meio do nada. Ao descer do carro, pude olhar a minha volta e constatar o óbvio: estava no outro lado do paraíso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Seguimos por um caminho de terra até chegarmos a uma cerca, depois lama, mato, descampado e no meio de uma vegetação, estava parte do bairro; uma ponte de madeira era a entrada. Várias casas de madeira, uma ou outra de tijolos, o coaxar dos sapos era a trilha sonora. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">As condições da população eram as piores possíveis: crianças corriam e brincavam na lama, idosos conversavam e todos me olhavam a princípio com apreensão e desconfiança, depois com alegria. Afinal, nunca tinham visto um brasileiro e eu era brasileiro, porém com cara de colombiano, daí a desconfiança inicial. Talvez pensassem que eu era algum tipo de inimigo, sei lá. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">E pensar que, dentro do táxi, um dos maiores dilemas era se permanecia com o crachá do Fórum Social Mundial ou se o retirava, pois com o crachá eu era um gringo que poderia ser ou não aceito (entendem?). Sem ele, eu era um colombiano com uma camisa azul e bermuda e a minha dúvida era: e se no local não puder usar camisa azul, pois a cor representa este ou aquele lado (viver no Rio nos habitua a esses pequenos detalhes). </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Fui fazendo as perguntas que apareciam e percebi que algumas eram devidamente ignoradas; mesmo assim, eu insistia e me fazia de gringo curioso. Perguntei como era a ação da polícia no local, se ela abusava do poder ou cometia alguma arbitrariedade, já que em Cartagena tem uma propaganda de polícia cidadã, e a resposta foi que a polícia passava dia sim, dia não, ou simplesmente não passava. E que não perturbava os moradores por considerá-los muito miseráveis; já a população tem um respeito pelas autoridades e este não vem do medo simplesmente e sim da vontade de viver em paz. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Para a melhor compreensão de vocês, leitores, a população do bairro é composta na sua imensa maioria por <em>desplazados </em>e alguns pobres. Para quem não tem noção, os <em>desplazados </em>são vítimas de um genocídio, nem sei como qualificar&#8230; Pessoas são expulsas de cidades ou mesmo cidades inteiras são evacuadas com uso da força por dementes de esquerda ou de direita. Para se ter uma idéia, imaginem que um comando do tráfico aqui do Rio invadisse a favela de um outro e obrigasse todos os moradores a saírem dali em um prazo de 3 horas, um dia, sei lá. Imaginaram? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Agora, imaginem estas pessoas vagando sem rumo, sem sua história, sem seus bens, sem nada. Carregando quando muito as roupas do corpo, os filhos ou parentes. O Markus foi <em>desplazado </em>por grupos da direita e teve que sofrer muito junto com seus oito filhos até chegar em Cartagena. Já Anastácia e seus seis filhos foram alvos da esquerda. Muito sofrimento para sobreviver, perde-se tudo para preservar a vida. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Agora, pensem que lá são cidades que sofrem esse tipo de ação.  Além de vítimas da violência, os <em>desplazados</em> sofrem com a falta de trabalho, educação e, o que considero pior de tudo, em decorrência de terem sido expulsos dos seus locais de origem, carregam o estigma de pertencerem a algum grupo “ilegal/subversivo”, ou mesmo de serem violentos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Outro detalhe importante e igual ao Brasil é a questão do racismo. É uma população praticamente invisível. Não sei onde fiz a anotação do número exato de <em>desplazados</em> em toda a Colômbia; é algo extremamente absurdo. São populações inteiras arrancadas de suas terras e espalhadas por todo o país. O Markus e a Anastácia são oriundos do departamento (estado) de Chocó e hoje vivem nos arredores de Cartagena, que é a capital do departamento (estado) de Bolívar. Não tenho noção da distância exata, porém olhando para o mapa da Colômbia e tentando fazer uma comparação com o Brasil, seria como se eles tivessem sido expulsos do Rio e tenham ido parar no Paraná. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Agora que fui lá, afirmo &#8211; antes eu apenas achava e/ou especulava, portanto, digo: não importa o lado. Esquerda e Direita é tudo a mesma merda! Ambos subjugam o povo e cometem todos os tipos de atrocidades. Reparem que ainda não estou falando das <em>bandillas</em> (gangues; facções) do tráfico e crimes em geral, que se posicionam de maneira similar. Se bem que em Cartagena paira uma espécie de armistício; todos os grupos estão presentes, porém parece que nenhum quer ter o controle. É estranho, parece coisa para inglês ver, digo, brasileiro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">E pensar que muitos palhaços se enfeitam no Brasil com adereços relacionados a alguns desses grupos ditos libertadores. A estes peço que acordem, e se, além deste equívoco, ainda forem usuários de drogas, saibam que injetam dinheiro na Esquerda e na Direita, sem distinção. São coniventes, digo cúmplices, com o duplo genocídio, o Colombiano e o Brasileiro. Que pelo menos alguns do Hip Hop tenham discernimento e reflitam sobre a gravidade do tema. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Além dos oprimidos, fiquei sabendo que existiam desertores de todos os lados opressores morando no bairro e esses temiam pois agora são alvos dos antigos inimigos e dos ex-amigos, e pensam que serão delatados ou coisa parecida. E aí você percebe que o “viver na merda” é democrático, todos os remanescentes da guerra, opressores e oprimidos, estão juntos em um lugar abandonado, 12.000 pessoas tentado esquecer o passado e recomeçar a vida de uma outra maneira. A situação é tão triste que não soube de nenhum tipo de ressentimento entre os que lá moram, o que seria natural. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Um grupo te expulsou de casa e depois um dos participantes vai morar no mesmo lugar que você. Sei lá, se houvesse tensão seria explicado ou justificado. Mas não. Havia um misto de tristeza e esperança no olhar dos que me receberam. Afinal, segundo eles, tudo isso foi tornado público para os participantes do evento, mas fui o primeiro brasileiro a colocar os pés no bairro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Durante a visita, continuei perguntando sobre situações ligadas à violência e como era à noite em termos de segurança. Me explicaram que existia uma patrulha cívica. Como assim, patrulha cívica, perguntei? Falaram que alguns moradores fazem a vigilância do bairro, usam uniforme e, segundo me informaram, não usam armas apenas cassetetes. Este grupo é mantido com contribuições voluntárias da própria comunidade. E mesmo se a pessoa não ajudar, não ficará sem segurança, digo vigilância. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Enquanto ouvia as explicações, vi uma espécie de sirene em um poste e perguntei do que se tratava. Não obtive resposta. Continuei insistindo e Markus disse que era um sistema de alarme da comunidade; quando dispara, todos saem de casa: homens, mulheres e crianças com paus, pedras, panelas, com o que tiver a mão e não importa a hora. Ele também frisou que aquilo era solidariedade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Continuamos a andar e sem querer fazer comparações. Mas muitas favelas no Rio seriam um verdadeiro luxo para aquelas pessoas; lá não tem nenhuma iniciativa dos governos municipal, estadual, federal ou mesmo ongs. Não tem um posto de saúde, não tem nada. As únicas iniciativas são promovidas por pessoas como Rosa, Markus e Anastácia, entre outros abnegados, que fazem das tripas coração para levantar a auto-estima dos filhos de <em>desplazados </em>bem como do restante da comunidade. Para ser mais exato, o único organismo que atende o local é estrangeiro, ligado à ONU e mantém o envio de alimentos para as crianças. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Todas aquelas imagens foram sendo misturadas na minha cabeça e eu procurava gravar o máximo possível, já que não tenho máquina fotográfica e muito menos consegui arrumar uma. É difícil descrever; aquele lugar poderia ser em Angola, Palestina, Camboja e até aqui no nosso Nordeste. Porém, o ar da guerra torna o nosso ar muito mais palatável. Muitos insistem em dizer que o Rio está uma Colômbia. Afirmo que isso é um exagero; nossa cidade maravilhosa pode estar no caminho, mas está longe de ser igual. Aliás, podemos até comparar o Rio com Medellín, Calí, mas jamais com um país. Digo que também vivenciamos uma guerra, a que denomino “miojo”, pois é instantânea e quando acabam as escaramuças fica apenas a sensação da violência no ar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Na Colômbia não. Lá são 40 anos de guerra e a sociedade vive a partir dessa lógica, em que o militarismo é um traço bastante forte, não importa o lado. Se eu pudesse resumir, diria que a guerra na Colômbia é com G maiúsculo. Lá independente do lado, prevalecem a politização e os ideais, esta é uma característica marcante, enquanto no Rio muitos são os alienados, que só atentam para a nossa guerra quando estão inseridos nela ou quando ela ganha os noticiários. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Lá, todos sabem o que acontece e os motivos políticos. Talvez em decorrência disso, percebi uma grande repulsa no que tange respeito às drogas, pelo menos nos locais mais complicados por que passei. Daí também a revolta contra as <em>bandillas</em> (gangues/facções) que infernizam a vida de alguns locais. As comunidades, porém, resistem bravamente, não se intimidando. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Quando falo isso, quero que entendam que, além das guerrilhas de esquerda, pára-militares de direita (confesso que na minha opinião estes grupos são literalmente iguais), existem as <em>bandillas</em> do tráfico, <em>bandillas </em>de ladrões e em último caso os <em>encapuchados</em> (grupos de extermínio), que agem contra todos e, segundo informações, contam com apoio da polícia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Em Cartagena, não detectei a existência de milícias populares, que em defesa das suas comunidades se confrontam com narcotraficantes, pára-militares, policiais, forças armadas e guerrilheiros. Vale frisar que no passado as milícias eram o apoio urbano às guerrilhas de esquerda; elas eram alinhadas, não aliadas. Porém, nos dias de hoje, estes combates ocorrem inclusive contra guerrilheiros de esquerda ou com outras milícias. Tive a oportunidade de conhecer um dos ex-líderes do MIR &#8211; COAR (Movimento Independente Revolucionário – Comandos Armados de Medellín), porém este é outro papo, vai virar artigo também. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Ao sair do bairro, minha cabeça era tomada por inúmeros questionamentos e uma grande vontade. A de que todos nós não deixemos o Rio chegar naquele estado. Vivenciamos uma guerra sangrenta, porém acredito que esta seja reversível ou freável; já no país irmão&#8230; E eu estava ali, percebendo os efeitos de uma forte mudança “climática” e pensando que, não muito longe de onde estava, a situação era de total descontrole e trevas. Falo de locais como Carmem de Bolívar, Zambrano, San Racinto, San Juan Nepomuceno e tantos outros, situados a, no máximo, duas horas de Cartagena. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Nestes locais são intensos os combates de todos contra todos, as disputas são casa a casa, quarteirão a quarteirão. Lá não tem esse papo de – &#8220;perdi, chefe!&#8221; Ou &#8220;não me esculacha não!&#8221; Lá quem tá formado está até o fim e em razão disso a proporção é de sete mulheres para cada homem (existem controvérsias com relação a esses números por isso optei por colocar o que foi mais constante). Em toda a minha estada, pude constatar que os policiais, os militares e os outros eram muito jovens. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Ao ir embora, insisti que queria pegar um ônibus, porém sutilmente meus companheiros falaram que não, que demoraria muito e etc&#8230; Na estrada, passavam vários caminhões, alguns ônibus e táxis ocupados. Um desses parou e estava com dois homens que perguntaram para onde iríamos. Markus respondeu e foi logo entrando no carro com Rosa. Fui o último a entrar. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Seguimos pela estrada em silêncio. Pela janela, fui vendo o bairro se distanciando sob o entardecer. Me encontrava em um misto de tristeza pelo que vira e felicidade por poder ajudar a dar visibilidade ao problema dos <em>desplazados.</em> Após uns minutos, um dos homens desceu do carro e Markus ficou no seu lugar. O clima ficou menos tenso e a viagem continuou em meio ao caos do trânsito, calor e poeira de algumas obras. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Eu dizia ao Markus que estava cronometrando o tempo de percurso; isso fazia com que todos no carro dessem risadas. Falei que já estávamos em 48 minutos. À nossa frente, o imponente forte de São Filipe, a divisão entre os dois lados do paraíso. Enquanto contemplava a vista, percebi que o trânsito foi ficando cada vez mais lento até formar um engarrafamento. Por entre os carros começaram a passar soldados do Exército, muito bem equipados. Nos outros veículos, as pessoas agiam com uma incrível normalidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">E foram passando um, dois, dez, vinte, uma porrada de soldados. O motorista disse que achava que era uma manifestação de desempregados. Me causou estranheza, pois nenhum dos militares carregava equipamentos de CDC (controle de distúrbio civil: mascaras de gás, cassetetes, escudos, cachorros e etc.); estavam com fuzis, capacetes, coletes, resumindo não estavam para brincadeira. Ver aquilo me remetia às cenas do filme <em>Missing (Desaparecido). </em>O carro começou a andar lentamente; enfim, pude ver a manifestação que se encontrava encurralada em um pequeno trecho. O motorista seguiu por outro caminho e chegamos nas proximidades do centro de convenções, que parecia ser outro país. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Deixei meus novos amigos no centro de convenções e continuei no táxi rumo ao hotel. O motorista, que até então não tinha falado muita coisa, me perguntou o que eu tinha ido fazer no bairro, e se eu tinha noção de que lá era perigoso. Respondi que tinha ido apenas conhecer. Ele perguntou se eu já tinha ouvido falar nos pára-militares? E que eu vinha de uma área da AUC&#8230; e que poderia ter arrumado um grande problema? Até aí ele não tinha me contado nenhuma novidade, a não ser o fato de dizer quem “cuidava” da região. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Confesso que não fui com a cara do sujeito e marquei a cara dele com a mesma precisão que marcou a minha; em bom carioquês, digo que ele estava mandando muita letra torta, era mais fácil falar logo que era de tal grupo e sei lá mais o quê&#8230; Chegando no hotel, enfim encontrei outros brasileiros e demais participantes. Como notícia ruim corre rápido, em muito pouco tempo várias pessoas sabiam da minha aventura e acabei sendo contemplado com o apelido de “El Loco”, inclusive pelo amigo do MIR – COAR. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Somente no dia seguinte, meus companheiros na visita abriram o jogo para mim e responderam as perguntas que não tinha sido respondidas, falando inclusive sobre a política vigente. Graças aos deuses, pude apresentá-los a vários participantes do FSMT e perceber o interesse real naquele drama. São tantas coisas que eu poderia despejar neste artigo, tantas impressões sobre tantos lugares que formam o outro lado do paraíso, que nem sei&#8230; </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Espero que o mundo reconheça e ajude os <em>desplazados</em>, espero que não deixemos o nosso Rio, o nosso Brasil chegar nesse estágio. Espero que um dia uma parcela significativa da cultura Hip Hop não se entorpeça com o lixo estadunidense e passe a ver os nossos próprios problemas, os problemas da América da qual fazemos parte – a América Latina.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR"></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – Publicado no <a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a> | <strong>11/07/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></p>
<p></span></p>
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		<title>Quem refresca&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 20:14:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Não são nenhuma novidade as questões envolvendo os &#8220;jogos de guerra&#8221; que acontecem no Rio de Janeiro, muitas coisas são ditas sobre. No entanto&#8230; Devemos tentar expor os sentimentos mais ocultos da população com relação a todos esses problemas. Chega de maquiarmos as angústias, o sofrimento. A própria população deve se lembrar que, via de regra, é a sua bunda que está na reta. Não adianta egoísmo, querer viver bem e o próximo, que vive sob uma ditadura rival, que se foda! </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Constantemente leio matérias em que moradores de favelas reclamam sobre a violência de grupos externos. Concordo com eles, que essa é uma situação grave, porém pergunto: onde está a solidariedade? Por que quando facções oriundas dessas mesmas comunidades saem para implantar o terror em comunidades próximas, não há reclamação, manifestação? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Por que a grita não é pelos que sofrem? Ou será que a máxima &#8220;pimenta nos olhos dos outros é refresco&#8221; virou lei? Será que não estão cientes de que, no final, estão todos fudidos, estamos fudidos? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Muitos, ao relatarem o conturbado cotidiano, acabam por se entorpecer com um romantismo equivocado, em que a retratação do que realmente acontece é induzida ou mesmo direcionada (in)conscientemente. Ainda estamos longe de expor a ferida detalhadamente, como diz a letra do Racionais &#8211; &#8220;quantos terão que morrer para se tomar providência&#8221;. Penso que os que sofrem deveriam estar mais coesos na dor; afinal, na maioria todos não são negros? Não são pobres? Todos não são oprimidos? Repito: não adianta querer viver em paz, se todo o entorno está sob a égide de uma guerra desigual. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Não adiantam desculpas e justificativas sobre ações criminosas que visam apenas o lucro e a opressão. Todos os aspectos devem ser analisados, chega de relacionar e justificar atos equivocados com uma identidade do &#8220;coitadinho oprimido&#8221;, que envereda nessa vida porque não tem um tênis de marca, uma calça maneira, não pode ir ao shopping, ter um carrão ou outras coisas impostas por essa sociedade galgada no consumismo. Nem todos inseridos no(s) crime(s) carregam estas características. Se a teoria do coitadinho fosse verdadeira, milhões de brasileiros esquecidos pelo governo, e até por outros brasileiros, já estariam inseridos no(s) crime(s), e viveríamos em uma autêntica anarquia. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Muitos vão pela fome, revolta, outros pela falta de caráter, anseio por uma vida mansa e desejo de cometer ou de participar de atrocidades. Existem, repito, inúmeras nuances e diferentes grupos sociais envolvidos. O mesmo vale para polícia(s), justiça e etc. A parcialidade vigente nos relatos que encontro beiram a conivência. Opressor é opressor, não tem idéia. As mesmas posturas usadas &#8220;academicamente&#8221; para amenizar os erros de uns servem de estímulo legal e correto para que outros sigam com a vontade de reverter a situação na marra, e essa &#8220;reação&#8221; sempre é desmedida, atingindo geralmente quem nada tem a ver. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Proponho que as bandeiras sejam arriadas e que somente os anseios da população que labuta de sol a sol, ou que se mantém íntegra perante o descaso do Estado e dessa sociedade que tem predileção por valores equivocados, sejam levadas em consideração. Essa é a minha opinião, sou partidário da máxima &#8211; &#8220;quem refresca cu de pato é lagoa&#8221;. Repito, as bandeiras devem ser guardadas, o &#8220;fanatismo&#8221; deve estar momentaneamente freado. Para que a compreensão seja possível e as soluções, digo sugestões, apareçam. Na minha concepção, algo tem que ser feito e o mergulho nas entranhas da justiça, polícias, grupos criminosos e da própria sociedade (incluem-se aí os adeptos da cultura Hip Hop) tem que ser mais profundo, contundente e elucidátorio. As vísceras do problema devem estar expostas sem piedade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">É notório que vivemos em uma ditaduraocracia, em que a censura já não é &#8220;tão&#8221; oficial; nos dias de hoje, ela opera sob as regras da influência e dos interesses e isso vale para todos os segmentos. Só que o velho Def continua fora de controle. Bom, a pedido dos leitores exponho uma matéria especial sobre duas corporações do crime estadunidense: Guerra não declarada. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">&#8220;Atitude é oferecer reação, saia de cima do muro, tome posição&#8230; levanta a guarda que eu vou te sacudir&#8230;&#8221;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Música <em>Atitude</em>, grupo Cooperativa (Tito, Def Yuri, Leo).</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:8pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – Publicado no <span style="color:black;"><a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a></span> | <strong>24/06/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></span></p>
<p></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/132/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/132/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/132/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/132/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=132&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dor, perda e renovação</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 20:03:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória do Viva Favela]]></category>
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		<description><![CDATA[Agradeço as mensagens dos que me acompanham todas as semanas, cobrando artigos novos. Realmente nunca fiquei tanto tempo sem escrever e confesso que isso me incomoda, já que o mundo e seus problemas não param. Porém, sou um indivíduo normal, que tem alegrias e tristezas. Ultimamente mais tristezas do que alegrias. Minha essência é e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=130&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Agradeço as mensagens dos que me acompanham todas as semanas, cobrando artigos novos. Realmente nunca fiquei tanto tempo sem escrever e confesso que isso me incomoda, já que o mundo e seus problemas não param. Porém, sou um indivíduo normal, que tem alegrias e tristezas. Ultimamente mais tristezas do que alegrias. Minha essência é e sempre será &#8220;THAI&#8221;, que ensina a transformar aquela mesma porrada que leva à lona em combustível para superar a dor da perda e seguir partindo para dentro. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Confesso, meu coração já se encontrava um tanto embrutecido, e isso é um problema, pois estava me tornando incapaz de externar sentimentos, de chorar e em alguns casos de sorrir com vontade. Às vezes, a alegria é somente um paliativo e não uma solução. Não quero e nem vou entrar em detalhes, apenas estou restabelecendo contato com todos e deixando claro que volto &#8220;pior&#8221; que antes. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Após as adversidades, prevalecem a obstinação e a essência. Sem essas, já teria me rendido e passaria a vegetar, esperando o epílogo de mais uma história &#8211; talvez a minha. Aos que estão em outro plano, saibam, onde quer que estejam, que jamais desistirei e manterei o que pode parecer o meu maior defeito em evidência &#8211; querer mudar essa porra de mundo a partir dos meu próprios atos e pensamentos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Agradeço a uma das pessoas mais importantes da minha vida, por ter me aturado e ao meu irmão(+) como se fôssemos seus próprios filhos, por ser um guerreiro e ter ao lado uma guerreira; desta união vieram os melhores exemplos de confiança, vontade, respeito e amor e estes passarei para meus filhos e netos &#8211; quem sabe. Muitos dizem que padrasto não é pai. No meu caso é pai, sim, e enteado é filho legitimado, pois é escolhido, não é imposto. Força aos que compartilham da minha dor, da minha perda e todos os que passam por situação semelhante. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Muito axé e até a próxima semana.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:8pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – Publicado no <span style="color:black;"><a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a> </span>| <strong>06/06/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></span></p>
<p></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/130/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/130/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/130/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/130/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=130&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bandidania – tô fora!</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 19:54:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória do Viva Favela]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Def Yuri]]></category>
		<category><![CDATA[HIP HOP]]></category>
		<category><![CDATA[RAP]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
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		<description><![CDATA[Espero ver uma revolução na prática, uma revolução que contemple toda a nossa população, assim como muitos indivíduos que lutam e batalham pela cultura Hip Hop. Não falo de ações orquestradas por marionetes que tentam de todas as formas se infiltrar e promover a desordem entre os nossos através de intrigas, atos duvidosos e participações [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=128&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Espero ver uma revolução na prática, uma revolução que contemple toda a nossa população, assim como muitos indivíduos que lutam e batalham pela cultura Hip Hop. Não falo de ações orquestradas por marionetes que tentam de todas as formas se infiltrar e promover a desordem entre os nossos através de intrigas, atos duvidosos e participações questionáveis. Falo do Hip Hop assumir cada vez mais sua responsabilidade social, e pela compreensão das inúmeras diferenças em nosso meio. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Até quando aceitaremos a infiltração de indivíduos já identificados que não são oriundos da nossa cultura, não sabem nada sobre a nossa cultura, não querem a evolução da nossa cultura e almejam apenas a manipulação, coisas típicas de marionetes de bandidos e opressores em geral? Ao contrário, sempre serão bem-vindos os que chegam para contribuir positivamente, para somar e para ajudar a fazer o bolo crescer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">O Hip Hop do Rio de Janeiro não é reconhecido pela covardia, e sim pela resistência. Já resistiu e resiste a várias modas, perseguições, ataques e preconceitos. Mesmo assim prossegue forte. É muito bom ver um encontro como o da Rede Brasileira de Hip Hop, realizado nos dias 9 e 10 de maio e/ou outras iniciativas acontecendo aqui no Rio. Penso que todos os encontros e iniciativas que visam um avanço, um esboço de unidade, são bem-vindos. Cabe somente aos adeptos da nossa cultura participarem ou não, e todos devem ter sua liberdade de escolha respeitada. Em decorrência de afazeres profissionais não pude acompanhar parte dessa iniciativa. Mesmo assim desejo sorte aos participantes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Novamente lembro que devemos ter cuidado com as marionetes, cuja principal característica é a covardia. Digo que não são pessoas (homens e, em alguns casos, mulheres) honradas, pois tentam esconder sua incapacidade através de ataques infantis, e isso em nada fortalece o Hip Hop, seja aqui ou em qualquer outro lugar. Penso: o que estes lucram? Quais são seus reais objetivos? Não fui eleito representante da nossa cultura, muito menos sou professor de alguma coisa, apenas minha história de vida se confunde com a história do Hip Hop nesse Estado. Sempre procurei e procuro abrir as portas, jamais fechá-las. Acredito que podem existir inúmeras diferenças, porém um só fator de coesão – o Hip Hop. Sei que a vanguarda também pensa dessa forma e creio piamente na capacidade de muitos iguais de diferentes vertentes em fazer e acontecer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Mas, para isso, não precisamos sofrer imposições de marionetes que não passam de alcoviteiras modernas, que só fazem fofoca e não mostram nada de produtivo. Elas aparecem sei lá de onde, querendo impor suas idéias tortas no grito, tentando assim intimidar os mais novos ou menos esclarecidos. Somente criticam, são incapazes de fazer algo de fato, seja realizar um seminário, seja gerir um site, seja produzir um grupo, fazer um evento, um projeto. Enfim, são o fiel retrato da incapacidade. Onde estão as realizações desses indivíduos? Eles se opõem a quem faz, e, na minha opinião (e repito: esta é minha opinião), estes indivíduos na verdade jogam contra o Hip Hop do Rio de Janeiro e também contra o Hip Hop brasileiro. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Mesmo sendo um indivíduo democrático, confesso que ser alvo de injustiças não é comigo. Podem não gostar de mim, da minha ideologia; agora negar os esforços é prova de ignorância, do mal-caratismo. Estas são características de quem vem para separar, não para ajudar a crescer. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Quando escrevo os meus artigos, exponho as minhas opiniões, os meus pensamentos e por sorte ambos encontram eco por todo o Brasil. Não preciso atacar ninguém para progredir. Isso se dá pelo meu trabalho. E o meu trabalho é a resposta. Não pretendo despejar nesse artigo os meus feitos. Sou o que sou e não me rendo aos opressores, oficiais ou não. Quando digo que os acionistas do caos são Desgraçados, assino embaixo. E o mesmo vale quando o tema for bandidania ou qualquer outro que julgue pertinente. Afinal, chega de vivermos num reino de faz-de-conta, regido por discursos dos coitadinhos oprimidos, na verdade capitães-do-mato modernos que lucram muito com a dor, o medo e o envenenamento dos seus iguais. Estes, junto com os capitães-do-mato oficiais são os principais problemas para a população carioca. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Tenho orgulho de saber que nos dias de hoje muitos iguais seguem “representando” não só artisticamente, mas socialmente falando. Estes metem a cara, fazem ou participam de projetos e seguem mudando a realidade na prática. E as marionetes, o que fazem? Acredito que o Hip Hop do Rio de Janeiro não precisa desses exemplos para sobreviver. Afinal, enquanto muitos seguem na lambeção de saco para ter conceito, para ascender e difundir seus ideais de bandidania, estamos aí, firmes, íntegros e fortes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Atualmente desenvolvo trabalhos na ONG Viva Rio, ou, como os recalcados que são incapazes de fazer algo produtivo falam, “Viva Rico”. Atacar a instituição é direito de cada um, porém não posso obrigar ignorantes a entender as coisas. Querem saber sobre as diferentes áreas de trabalho do Viva Rio (Educação, Meio Ambiente, Segurança Pública e Direitos Humanos, Esportes, Desenvolvimento Comunitário)? Acessem o site <a href="http://www.vivario.org.br/"><strong><span style="color:#000080;">www.vivario.org.br</span></strong></a> ou façam uma visita. Em ambos os casos, o cidadão terá acesso a todas as iniciativas. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">E, diferente de muitos partidos políticos, ONIs (ou Organizações Não Idôneas) e movimentos de caráter duvidoso, também se encontrarão disponibilizadas as prestações de contas, informação que considero vital para o cidadão íntegro. Talvez esta seja mais uma diferença entre quem faz e os parasitas, digo, marionetes. Aliás, essa é a diferença! Mesmo assim o questionamento institucional é livre, todos têm direito, mas para indivíduos “conscientes” do Hip Hop toda ação deve ter embasamento concreto. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Os que almejam atacar os trabalhos desenvolvidos com o Hip Hop no Viva Rio devem se lembrar que sou o responsável por grande parte, então automaticamente estão me atacando. Peço que não percam tempo com isso. Apenas mostrem resultados iguais ou superiores aos apresentados, se forem capazes. Mostrando alguma coisa, todos teremos a certeza de que movimentações paralelas estão acontecendo e considero isso o mais próximo de uma unidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">O meu nome é Def Yuri, não conhecem? Se pretendem mudanças e avanços comecem pelo re-conhecimento da história da sua cultura e de seus participantes nesses 20 anos de existência. Não se deixem levar por marionetes que pulam de movimento social para movimento social com o único intuito de se locupletar e de manipular. Esses também formam o perfil do “Desgraçado” padrão. Diferente dos que finaciam o Estado de caos, estes têm participação nos lucros que são conquistados com o envenenamento do nosso povo e com o derramamento do nosso sangue. Eles pretendem e dependem da perpetuação desse Estado de caos. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Aos que honram nossa correria e lutam em prol de nossa cultura, mantenham-se firmes como homens e mulheres de fibra, tenham orgulho de ser do Hip Hop. E, para a bandidania, digam: &#8221;tô fora!&#8221;</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:9pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">“<em>Se é pra falar de mim, deixa que eu mesmo falo&#8230;”</em><em><br />
</em><br />
Música: <em>Minha Vida,</em> Paulo Nápoli</span></p>
<p><span style="font-size:8pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Para críticas, sugestões,mágoas e ressentimentos:</p>
<p><a href="mailto:def.yuri@gmail.com"><strong><span style="color:black;">def.yuri@gmail.com</span></strong></a></span></p>
<p></span> </p>
<p><span style="font-size:8pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – Publicado no <a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a> | <strong>12/05/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/128/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/128/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/128/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=128&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vai na fé</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 19:41:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eram duas horas da manhã de um meio de semana qualquer. Após um dia de trabalho, fui para mais uma reunião. É aquele negócio: papo vai, papo vem e o tempo foi passando. Despeço-me do pessoal, entro no carro e vou para casa. Alguns minutos se passam e percebo que a cidade está tranqüila, sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=126&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Eram duas horas da manhã de um meio de semana qualquer. Após um dia de trabalho, fui para mais uma reunião. É aquele negócio: papo vai, papo vem e o tempo foi passando. Despeço-me do pessoal, entro no carro e vou para casa. Alguns minutos se passam e percebo que a cidade está tranqüila, sem o ar pesado dos últimos tempos. No som, escuto uma fita com umas músicas do Cólera. Estou muito cansado, sorte que não devo levar mais que 30 minutos até minha casa. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Percebo que existe uma obra no meio da avenida. Reduzo a velocidade e sigo o desvio sinalizado logo à frente, e posso ver carros fechando a rua. Uns com sirenes, outros sem. Confesso que fiquei na dúvida: seria a polícia oficial ou não? O pior é que não tenho como ter certeza e muito menos, se for necessário, armar uma fuga. Só me resta abaixar o farol e acender a luz interna. São mais de dez homens, todos de colete e máscaras. Aos gritos, me mandam parar e descer do carro com as mãos para cima. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Um deles pergunta se eu sou da casa. Respondo que não entendia do que ele falava. O cara queria saber se eu era polícia que nem eles. Respondo que não. Perguntou também se eu era do “mundão” e qual era a minha bandeira. Disse que a minha não era o crime. Então, começou o interrogatório: &#8220;De onde você vem? Para onde você vai? O que faz da vida?&#8221; Vou falando com educação e atento à movimentação. <span> </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Reparo que alguns deles estão portando fuzis AK 47; estes não são muito comuns na polícia oficial. Eles dizem que vão revistar o carro; respondo que sem problema, desde que somente um policial fizesse a vistoria e eu acompanhasse. Nesse momento, ao ouvir as gargalhadas, tive confirmadas minhas suspeições: realmente não era a polícia oficial. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Agora não adianta seguir os procedimentos padrão, verificar o número das viaturas, o nome dos agentes, não tem ouvidoria nem outros organismos que, mesmo precariamente, tentam defender os direitos do cidadão. Me puxam pelo braço e dizem para eu ficar na moral que se eu tivesse limpo não iria pegar nada, que eles não eram de esculachar trabalhador. Fiquei pensando: &#8220;Aquilo então era o quê?&#8221; Percebo que outras pessoas são abordadas, mandam eu não encarar ninguém e olhar para o chão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Sou levado até uma ladeira e, depois de um tempo subindo, fui recebido por um cara que reiniciou o interrogatório: &#8220;De onde você vem? Para onde vai? O que tu faz da vida?&#8221; E lá vou eu, sob tensão, respondendo as mesmas perguntas, sabendo que não podia falar uma vírgula diferente. Ao longe, ouço sons de tiros e gritos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">O tempo foi passando. Não tenho idéia de quantos minutos ou mesmo se foi mais de uma hora. De repente, um cara que parecia o chefe falou: &#8220;Vai na fé!&#8221; </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Vocês não têm idéia da complexidade dessa fala. Pode significar: vai morrer, pode ir embora ou sei lá mais o quê. Não tendo saída, tive que perguntar: &#8220;Posso ir embora?&#8221; &#8220;É, cumpadi, pode sair fora. Aí o &#8216;fiel&#8217; disse que tu tem umas fitas maneiras lá no carro, só som neurótico. É verdade?&#8221; Afirmo que é. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span> </span>Não é incrível? Enquanto eu estava sob interrogatório, o indivíduo estava escutando minhas fitas. Que filho da puta! Um outro disse que eles estavam ali para pegar os “alemão” e que não tem idéia, se for polícia ou rival vai morrer. Também disse que ali ninguém era ladrão péla-saco, cuzão que apavora o povão, que apavora morador. Ali era o tráfico. Enquanto desço pela rua, vários carros passam por mim com sirenes e homens fortemente armados aos gritos de “Já é! Já é!” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Chego até onde estava a <em>blitz </em>e vejo meu carro parado no mesmo lugar, inclusive com o alerta ligado. Próximo, estava um taxista que deveria ter seus 60 anos. Ele tremia e dizia que foi o pior susto que tinha passado. Olho no interior do carro e vejo que as fitas estavam mexidas mas, a princípio, não faltava nada. Ainda me refazendo do susto, ligo o carro e continuo a caminho de casa. Passado uns quatro quarteirões, o que vejo na minha frente? Carros com sirenes ligadas e vários homens armados. “Merda! O que seria agora?” </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Mais uma vez em situação de impotência, abaixo o farol e acendo a luz interna. Recebo o comando de parar. Ao ver os uniformes e vários indivíduos portando colts M-16, constato que é uma <em>blitz</em> da polícia oficial. Um deles me manda desembarcar e pergunta: &#8220;É da casa?&#8221; Respondo que não entendo a pergunta. “Tu é polícia?” Respondo que não. Pergunta se sou do lado errado. Respondo que não. Enquanto checam  meus documentos e o carro é revistado, eles iniciam um interrogatório me perguntando: &#8220;De onde você vem? Para onde vai? O que você faz da vida? O que eu estava fazendo naquele local, aquela hora?&#8221; <span> </span><span> </span>Confesso para vocês que me deu vontade de rir. Respondo que tinha acabado de ser abordado em uma <em>blitz</em> e que fiquei retido nela por cerca de uma hora. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Os policiais dizem que estão naquele local há mais de três horas e que não tem nenhuma outra <em>blitz</em> na região. Assim que ele termina de falar, todos podem ouvir sons de tiros, porém continuam falando como se nada tivesse acontecido. Um outro policial se mostra meio confuso e nervoso. Percebo que ele almeja começar uma discussão por qualquer motivo; para evitar mais confusão, digo que todos estão com razão e que eu devia estar ficando maluco. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Falo que estava cansado por um dia estressante de trabalho e pergunto se eles já tinham terminado o trabalho, pois já eram quase 4 horas da manhã. Nesse instante, o policial que estava revistando o carro disse: &#8221;Pô, fita, várias fitas maneiras! Me amarro em Rep e em Hardcore.&#8221; Ao ouvir isso, fico pensando: “Tem coisas que só acontecem com determinadas pessoas e eu sou uma delas!” Me devolveram os documentos e pediram desculpa pelo incômodo, dizendo que aquilo era apenas uma medida de segurança para minha própria proteção e que eu não perdi nada, apenas ganhei. </span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR">Até agora penso o que eu teria ganho. Afirmam também que estão na “pista” para passar o cerol na vagabundagem, que a deles não é esculachar “marmiteiro” e que eles são do bem. Agradeço a compreensão e pergunto se posso ir embora. E um que parecia comandar a operação me responde: &#8220;Vai na fé!&#8221;<br />
</span><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Arial Unicode MS;"><span><span style="font-family:Times New Roman;"><em></em></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Arial Unicode MS;"><span><span style="font-family:Times New Roman;"><em><span style="font-size:9pt;color:black;" lang="PT-BR">“Para o sistema, rapper bom é rapper morto” &#8211; </span></em><em><span style="font-size:9pt;color:black;" lang="PT-BR">K.A.R</span></em></span></span></p>
<p></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/126/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/126/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/126/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=126&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Resistência e Diogo, o ignóbil!</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 19:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória do Viva Favela]]></category>
		<category><![CDATA[Ativismo]]></category>
		<category><![CDATA[BRASIL]]></category>
		<category><![CDATA[Def Yuri]]></category>
		<category><![CDATA[HIP HOP]]></category>
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		<description><![CDATA[No meu último artigo relatei que estava arrumando as malas para acompanhar a realização de um seminário em Penedo (RJ) cujo tema era a participação dos adeptos da cultura Hip Hop frente o problema do tabagismo. Esta atividade contou com a participação de vários rapeadores, homens e mulheres, que receberam informações relacionadas ao tema e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=124&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">No meu último artigo relatei que estava arrumando as malas para acompanhar a realização de um seminário em Penedo (RJ) cujo tema era a participação dos adeptos da cultura Hip Hop frente o problema do tabagismo. Esta atividade contou com a participação de vários rapeadores, homens e mulheres, que receberam informações relacionadas ao tema e usaram seus dons para multiplicá-las. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Óbvio que muitos vão dizer que isso não vai adiantar nada, que é demagogia, pois vários dos participantes fumam e por aí vai. Só que o objetivo desta iniciativa não é obrigar nenhum indivíduo a parar de fumar, e sim fazer com que ele reflita, através de letras de REP, se é isso mesmo que almeja para a sua vida e para os seus semelhantes. Se informar não adianta nada, para que existe o REP? Será que vivemos em uma nação demagoga, onde vociferar contra tudo e todos não passa de jogo de cena? Já que nada vai mudar, devemos perder o nosso tempo de outra maneira, concordam? </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">De volta à viagem, posso dizer que ver pessoas das mais diferentes vertentes do Hip Hop interagindo, conversando e até planejando iniciativas em conjunto foi incrível. Para quem não sabe, um dos pontos fortes do Hip Hop são as desavenças, que muitas vezes terminam por engessar as movimentações em busca de um objetivo comum. Só que desta vez não, desta vez foi inédito. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Quem diria que algum dia pudesse ver ou vivenciar isso; é a verdadeira realização de mais um sonho. Ver uma maior participação dos adeptos da nossa cultura na busca por conhecimentos, e se capacitando para multiplicar informações que beneficiem a população como um todo. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">É importante frisar que essa iniciativa foi realizada graças às instituições que acreditam e respeitam essa manifestação popular; os que batalham de verdade pelo Hip Hop do Rio de Janeiro são gratos ao CEMINA e aos seus parceiros: REDEH, VIVA RIO, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, DYAK PRODUÇÕES, TROCANDO IDÉIA, BOCADA FORTE e a SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO. Espero que outras atividades como essa sejam realizadas e a tão almejada unidade seja encontrada de fato. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Ainda orgulhoso do resultado e ainda mais confiante no futuro, fico sabendo de um artigo escrito por um “jornalista” para a revista Veja. Sou favorável às críticas e à liberdade de expressão, porém acredito que para isso deve-se estar minimamente embasado; e o “renomado” mostrou que não está ou, se está, age motivado por outros interesses. Em alguns pontos, ele até consegue tentar resumir o que pensa o cidadão fluminense, mas isso é por pouco tempo, pois já em seguida literalmente enfia os pés pelas mãos ao misturar vários assuntos – cada vez mais acredito que deturpar os fatos seja um traço equivocado na personalidade de muitos jornalistas. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Ao questionar de forma duvidosa a importância da “arte, música, cultura e mídia” como alternativa ao crime, ele mostra a sua ignorância e os seus preconceitos – estes não estão restritos somente a ele, são compartilhados por muitos outros profissionais igualmente embriagados pela soberba, diplomas e conhecimentos que não alteram e nunca alteraram nada. Eles temem a participação dos autodidatas do povo na busca das soluções dos problemas que os afligem. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Pergunto qual a qualificação desse indivíduo para falar e especular sobre o Hip Hop? Para falar de iniciativas como essa? Digo que este não tem capacidade de discernir sobre o que está sendo feito; é neste momento que o caráter, ética e a vontade de se informar fazem a diferença. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Queria ressaltar que muitos dos participantes do seminário Hip Hop na linha de frente contra o tabaco foram extraídos do destino que leva muitos ao crime, e não foram através de idiotas, religiões, ou sei lá mais o que, e sim pela cultura Hip Hop. Esta sim, vital para muitos, resgatando a auto-estima, apontando rumos, resgatando a auto-estima, apontando rumos, informando e educando. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Parece que o ignóbil Diogo não gosta disso. Talvez ele preferisse conhecer alguns dos participantes de outra forma; talvez ele ache melhor que em vez de ver um jovem empunhando um microfone, tentando expor seus pensamentos e sugestões para uma sociedade melhor, uma melhor qualidade de vida (coisa que o ignóbil não faz), este tivesse uma PT .40 carregada apontando para sua cabeça, subjugando-o. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">E ele, tomado pelo terror e pelo pânico, enfim saberia como é estar à mercê de um dos produtos dessa sociedade necrosada, gerenciada e conduzida por “pessoas” como ele. Fico pensando como seria, a quem ele clamaria nesse momento; com certeza, choraria e ostentaria, em vez da soberba, aquele olhar esbugalhado dos desesperados. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Mas Diogo irá ficar decepcionado, pois os participantes do seminário vieram ao mundo para contrariá-lo, vieram para mostrar que é possível estar longe da violência, do crime e principalmente nos mentores intelectuais desse estado de caos. </span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-family:&quot;" lang="PT-BR"><span style="font-size:small;">Em vez de propagar merdas, este &#8220;jornalista&#8221; deveria (se for capaz) compreender a cultura Hip Hop e principalmente a música REP, que é o maior veículo de comunicação das massas excluídas do Brasil, exercendo uma função que deveria ser de pessoas como o jornalista citado, que, preso em sua redoma e em meio aos seus preconceitos, certamente se diverte ao externar sua irresponsabilidade, sua bostialidade. Diogo, sampleando um comercial, digo: está na hora de você rever seus conceitos.<br />
</span></span><span style="font-family:Arial;" lang="PT-BR"></p>
<p></span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;">“<em>Fear of a black planet</em>”</p>
<p>Public Enemy</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:8pt;" lang="PT-BR"><br />
Autor: <strong>Def Yuri</strong> – Publicado no <span style="color:black;"><a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a> </span>| <strong>01/05/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></p>
<p></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/124/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/124/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/124/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/124/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=124&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O que me move</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jul 2008 18:57:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória do Viva Favela]]></category>
		<category><![CDATA[BRASIL]]></category>
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		<description><![CDATA[Às vezes fico pensando sobre o que me motiva a seguir nessa caminhada, em busca do reconhecimento e crescimento da cultura Hip Hop. Já se passaram tantos anos e muitas coisas parecem inalteradas; mesmo tendo nos dias de hoje todos os obstáculos identificados e devidamente sinalizados, a coesão, ou pelos menos o alinhamento de todos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=122&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Às vezes fico pensando sobre o que me motiva a seguir nessa caminhada, em busca do reconhecimento e crescimento da cultura Hip Hop. Já se passaram tantos anos e muitas coisas parecem inalteradas; mesmo tendo nos dias de hoje todos os obstáculos identificados e devidamente sinalizados, a coesão, ou pelos menos o alinhamento de todos os “iguais” ainda é difícil.<span>  </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Muitos não querem que alcancemos o nosso lugar de direito, não querem assumir responsabilidades; para estes o Hip Hop é uma grande brincadeira. Que seja, mas a nossa cultura também é coisa séria. Estou ciente de que todo indivíduo tem seu ritmo, suas prioridades, porém não tenho vocação para a inércia, que volta e meia nos infecta. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Assim como muitos, busco por uma mudança que contemple a sociedade como um todo; sei a importância que a nossa cultura tem nesse processo. Por mais que muitos acreditem, nós não habitamos um mundo à parte. Nós não vivemos na Terra do Nunca. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">E assim vão surgindo inúmeros questionamentos, que vão drenando as minhas energias e me levam a pensar e repensar se vale a pena ficar à mercê de todo o desgaste, cansaço, intrigas e sei lá mais o quê. A soma de tudo isso me traz de volta uma sensação de estar sozinho, de estar dando murro em ponto de faca. Quantas vezes já me vi nessa situação? Já perdi as contas. E quando os pontos estão para ser entregues, digo, quando a reflexão fica mais forte – como sempre surge a razão para a minha progressão e para a minha não desistência. É aquela máxima – morro seco mais não me entrego. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">No meio desses pensamentos, cheguei à capital gaúcha, onde fui participar de mais uma edição do maior evento de Hip Hop realizado no Brasil, o Trocando Idéia. Durante quatro dias o auditório Araújo Viana foi o foco do melhor da nossa cultura: DJ’s, MC’s, Grafiteiros, B-boy’s, debates, oficinas; foram inúmeras atividades, sem falar nas festas paralelas. É incrível como essa cidade sempre emana uma energia Hip Hop forte – quem foi sabe do que estou falando. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">No Trocando Idéia, fui participar oficialmente como coordenador do debate Hip Hop e Mídia. Foi muito bom ver o interesse dos presentes e a vontade de participação. Digo isso pois não é  fácil mostrar que estamos muito além do artístico. Também participei, como observador, da oficina Hip Hop e Tabaco e do encontro de mulheres – este último seria fechado aos homens, porém a Rúbia bateu o pé e liberou a entrada para todos os que quisessem observar e/ou participar. Em tempos de “insurreições” femininas no Rio de Janeiro, lamento que as mulheres e/ou meninas da minha cidade não tenham se movimentado ou mesmo se feito representar; digo isso pelo simples fato de que seria importante comparar a vanguarda das mulheres com sua visão de futuro, ativismo e os pensamentos retrógrados que são a fiel reprodução do nosso próprio discurso de décadas atrás – o machismo faz escola. Espero que quem perdeu o bonde da história seja capaz de alcançá-lo rapidamente. Torço e farei a minha parte para que as iniciativas tenham desdobramentos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">E para aumentar a motivação, nada melhor que encontrar abnegados como: Preto Ghoéz (Maranhão), Professor Pablo, Rúbia, Paulo Napoli, Gil, Skill (Filadélfia), Juny KP (São José do Rio Preto), Gaspar, Fernandinho Beat Box, Jeff Bass (Curitiba), Lica, Vitche, Flip, Fabiana Menini, Biba, Alexandre de Mayo, Fabio, André, DJ Nuts, Kall, Sol, Luana, Amarelo, Noise D, Bonga, DJ Ciel ( Pindamonhangaba), Gato Congelado, Lombriga, Maninho, Diego, Huracan e MM ( Florianópolis), DJ MAS (Recife), só para citar alguns nomes. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Perceber as diferentes correntes interagindo me traz uma esperança de que muitas coisas mudem na prática. Coloco isso, pois é notório que os antagonismos entre as vertentes criam verdadeiros abismos. Ver esse detalhe ser superado, e dando lugar ao diálogo, a uma verdadeira troca de idéias, é realmente motivador. Uma só fala, uma só atitude Hip Hop, se todos que lêem este artigo pudessem saber do que eu falo. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;">Bom, o relógio não pára e confesso que não consegui colocar tudo o que queria neste artigo, pois já estou com as malas prontas para a Serrinha (Penedo-RJ) onde acontecerá de hoje (25/04/03) até domingo (27/04/03) o Hip Hop na linha de gente contra o tabaco. Serão 30 MC’s, homens e mulheres, que estarão participando de oficinas de capacitação sobre tabagismo. Ao término, reunirão todas as informações adquiridas em um CD que será lançado no dia mundial de luta contra o tabagismo. Tenho orgulho de acompanhar o interesse dos participantes; finalmente será possível ver uma ação coletiva “espontânea”. No Rio de Janeiro, alguns indivíduos fazem muito, já era hora de muitos fazerem ainda mais! </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR">Essa vontade de participar, de agir, esta é a atitude que me move e que moverá a nossa cultura por muito tempo. Muita força aos que apóiam e principalmente aos que participam dessa iniciativa – estes não se acovardaram, escondendo-se nas sombras ou na incapacidade de agir coletivamente, preferindo separar a somar, boicotar a fazer na prática.</p>
<p></span><span style="font-size:10pt;" lang="ES-TRAD">Dica: </span><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><a href="http://www.bocadaforte.com.br/hiphoptabaco/"><strong><span lang="ES-TRAD"><span style="color:#000080;">http://www.bocadaforte.com.br/hiphoptabaco/</span></span></strong></a></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-size:8pt;" lang="PT-BR">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – publicado no <span style="color:black;"><a href="http://www.vivafavela.com.br/"><strong><span style="color:black;">www.vivafavela.com.br</span></strong></a></span> | <strong>25/04/2003</strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/122/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/122/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/122/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=122&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Segurança Pública S.A.</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 15:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Def Yuri</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentre os inúmeros vetores de propagação da violência, o que mais chama minha atenção (e estranhamente é esquecido por muitos) são os serviços de segurança, digo, de polícia privada. Esse filão cresce na mesma velocidade da violência, e creio que em decorrência disso esta não diminua tão cedo. Observem as ruas e perceberão um verdadeiro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=120&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Dentre os inúmeros vetores de propagação da violência, o que mais chama minha atenção (e estranhamente é esquecido por muitos) são os serviços de segurança, digo, de polícia privada. Esse filão cresce na mesma velocidade da violência, e creio que em decorrência disso esta não diminua tão cedo. Observem as ruas e perceberão um verdadeiro exército formado por policiais, bombeiros, desempregados, e em muitos casos bandidos. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">O contato promíscuo é inevitável, resultado da busca por um salário melhor, necessidade de estar trabalhando ou de justificar que trabalha em algum lugar. Esse conjunto de necessidades é acobertado principalmente por empresários e comerciantes, acarretando uma sensação de segurança para eles e insegurança para o restante da população, que passa a conviver com pessoas que, na maioria das vezes, são despreparadas para lidar com o público em geral ou de exercer suas funções com correção. Some-se a isso, no caso dos funcionários públicos, o fato deste “bico” ser exercido alternadamente com o trabalho oficial, resultando num péssimo desempenho, em decorrência do esgotamento físico e mental. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Outro fator importante é o porte e uso de armas de fogo, legais ou não. Obviamente a interação desses grupos envolvidos constrói um verdadeiro mercado paralelo com diferentes formas de negociação. Onde será que vão parar as armas roubadas de seguranças ou de empresas de segurança em geral? Estou falando de assaltos mesmo, porém existem casos forjados, e via de regra não são investigados e/ou são abafados. E a epidemia da proliferação de armas roubadas continua abastecendo todo o tipo de facínora. Perante isso a polícia federal e o exército continuam não investigando, não tendo controle, ou também podem estar envolvidos na manutenção desse lucrativo ciclo. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Quem nunca se sentiu constrangido, sendo perseguido em lojas, “encarado” nas ruas, vítima de algum comentário ou de suspeições infundadas, não tendo como reagir e reivindicar os seus direitos, em vista da “promiscuidade generalizada”? Se quem ler esse artigo for negro saberá do que estou falando com um pouco mais de velocidade, por saber na prática o peso de ser visto como o protótipo do inimigo. Os que se alienam, se omitem ou mesmo lucram com esses negócios argumentarão que tudo não passa de exagero, delírios, e sei lá mais o quê. Peço para os leitores que façam pesquisa rápida, e constatarão que o número de vítimas desse tipo de violência só faz aumentar, já a justiça e elucidação de crimes não se pode afirmar que aumentam na mesma proporção. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Volta e meia tenho a possibilidade de ouvir um grande número de reclamações contra esses “milicianos informais”, e repito que uma grande quantidade de crimes é cometida por essas milícias. Tiroteios com vítimas inocentes, execuções por não pagar a passagem de um ônibus, discussões por motivos fúteis, isso sem falar dos roubos, extorsões, seqüestros e tudo o que a “criatividade humana” pode inventar. Eles agem com a certeza da impunidade. Todos, sem exceção, são embriagados pela síndrome de poder. Dizem que grande parte das empresas de segurança, digo, de polícia clandestina, é controlada por altos postos na hierarquia policial “oficial”. Se este fato é conhecido, por que não se tomam providências? </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Por que ao ocorrerem saques, assaltos violentos ou quando traficantes mandam fechar o comércio esses &#8220;profissionais&#8221; não botam a cara, digo, não se apresentam, garantindo assim o pleno funcionamento dos estabelecimentos? A dúvida é essa: por que uma resposta enérgica e violenta em alguns casos e o “desaparecimento” instantâneo em outros? Nas raríssimas vezes em que resolvem revidar alguma ação violenta, acabam por mostrar sua total incapacidade e inoperância, o que resulta na imensa maioria das vezes em morte de inocentes. Confesso, ainda tento compreender. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Tenho uma opinião de que todo aquele que contrata esses serviços deve ser responsabilizado cível e criminalmente. Para mim são co-autores de qualquer ato “equivocado”. Causa repulsa perceber que o cidadão paga seu impostos com o intuito de ter a sensação de segurança (oficial) e um pouco de paz (mesmo que nos dias de hoje isso possa parecer uma utopia), e ver que aqueles que são pagos com esses impostos tratam sua função de servidor público apenas como um bico, se dedicando ininterruptamente ao trabalho de “polícia privada”. Não existe desculpa, a população utiliza os serviços desses indivíduos e como brinde ganha o desrespeito e a possibilidade de ser vítima de um mal maior. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Como diria o âncora de uma rádio de notícias, “isso é um descalabro!” A população se encontra refém dessas milícias, que chegam inclusive a “brigar” pelo controle de áreas, digo, pontos mais rentáveis, semelhante a outras “brigas” que vivenciamos diariamente. Para muitos, as comunidades sofrem com o controle territorial armado. Concordo, realmente isso é algo grave. Só que não podemos esquecer e fingir que não vemos o “controle promíscuo” que acontece nas ruas. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">A omissão ou o jogo de interesses envolvem as autoridades (in)competentes nessa situação. Enquanto isso a população fica sem ter a quem recorrer. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">É fato. Quem tem mais recursos ($) tem direito a segurança das milícias paralelas, </span></span><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">oficiais ou mesmo pára-oficiais. Será preciso a eliminação de alguém de “destaque” na sociedade, para que todos nós sejamos contemplados com iniciativas que mudem essa situação calamitosa na prática? O que está descrito nesse artigo não é restrito ao Rio de Janeiro. Acontece em qualquer lugar do Brasil.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;margin:0;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"> </span></span><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Além das minhas considerações, deixo aqui algumas sugestões:</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Cadastro e identificação de todos os “milicianos”, com foto e demais dados. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Que os “profissionais” íntegros sejam capacitados e preparados para lidar com a população. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Responsabilizar cível e criminalmente os contratantes dos serviços.</span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Vergonha na cara, coragem, vontade para as autoridades que gerenciam a segurança pública, que estes tomem uma atitude que venha a beneficiar a população, ou continuarão na condição de omissos e/ou cúmplices. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Devassa nas “empresas” e instituições para verificar se a “convivência” é tão ou mais promíscua do que se pensa. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Participação efetiva da justiça (?), no sentido de punir a promiscuidade, a corrupção ativa, passiva e a lavagem de dinheiro.</span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Criação de mecanismos de defesa do cidadão contra ações desses grupos específicos. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Participação da mídia denunciando e não colocando esses crimes como obras do acaso.</span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Conscientização da população para que esta exija os seus direitos, e não fique à mercê de diferentes milícias.</span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Lembrar à sociedade que ela é a principal financiadora dessas milícias. Não estou falando de coibir uma maneira de proteção ao crime e sim que a busca por segurança não amplie esse filão e o torne tão lucrativo quanto os “outros”. </span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Lembrar aos governantes que dar ou transmitir a sensação de segurança é obrigação e esta não deve ser <span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">repassada à população nem comercializada como um “favor”. </span></span></span></span></span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"><span lang="PT-BR"></span></span></span><span lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Participação do legislativo. Que este tenha peito, moral e capacidade para bancar uma CPI sobre o tema. </span></span></span></div>
<div><span lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">· Se não tiver jeito, que se oficialize ou se contrate empresas particulares de segurança legalizadas para cumprirem função de polícia. Quem sabe, a sociedade possa esperar ou cobrar alguma coisa destas?</span></span></span></div>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div><span lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;">Bom, já estou falando muito, digo, escrevendo. Outros igualmente indignados com todas as formas de propagação da violência devem se apresentar.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;">
<div></div>
<p><em><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR">“Quantos terão que morrer pra se tomar providência&#8230;”</span></em></p>
<div><em></em></div>
<p><em><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><em>Pânico na Zona Sul</em><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"> – Racionais MC’s</span></p>
<p></span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR">Autor: <strong>Def Yuri</strong> – <strong>publicado no <a href="http://www.vivafavela.com.br/">www.vivafavela.com.br</a> | <span>11/04/2003</span></strong> | Seção: <strong>Def Yuri</strong></span></span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<div><span lang="PT-BR"></span></div>
<p><span lang="PT-BR"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"><font face="Times New Roman" size="3"></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p></font></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:10pt;" lang="PT-BR"></span></p>
<p></span></div>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/defyuri.wordpress.com/120/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/defyuri.wordpress.com/120/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/defyuri.wordpress.com/120/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/defyuri.wordpress.com/120/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=defyuri.wordpress.com&amp;blog=3707270&amp;post=120&amp;subd=defyuri&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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