Resistência e Diogo, o ignóbil!
Julho 16, 2008
No meu último artigo relatei que estava arrumando as malas para acompanhar a realização de um seminário em Penedo (RJ) cujo tema era a participação dos adeptos da cultura Hip Hop frente o problema do tabagismo. Esta atividade contou com a participação de vários rapeadores, homens e mulheres, que receberam informações relacionadas ao tema e usaram seus dons para multiplicá-las.
Óbvio que muitos vão dizer que isso não vai adiantar nada, que é demagogia, pois vários dos participantes fumam e por aí vai. Só que o objetivo desta iniciativa não é obrigar nenhum indivíduo a parar de fumar, e sim fazer com que ele reflita, através de letras de REP, se é isso mesmo que almeja para a sua vida e para os seus semelhantes. Se informar não adianta nada, para que existe o REP? Será que vivemos em uma nação demagoga, onde vociferar contra tudo e todos não passa de jogo de cena? Já que nada vai mudar, devemos perder o nosso tempo de outra maneira, concordam?
De volta à viagem, posso dizer que ver pessoas das mais diferentes vertentes do Hip Hop interagindo, conversando e até planejando iniciativas em conjunto foi incrível. Para quem não sabe, um dos pontos fortes do Hip Hop são as desavenças, que muitas vezes terminam por engessar as movimentações em busca de um objetivo comum. Só que desta vez não, desta vez foi inédito.
Quem diria que algum dia pudesse ver ou vivenciar isso; é a verdadeira realização de mais um sonho. Ver uma maior participação dos adeptos da nossa cultura na busca por conhecimentos, e se capacitando para multiplicar informações que beneficiem a população como um todo.
É importante frisar que essa iniciativa foi realizada graças às instituições que acreditam e respeitam essa manifestação popular; os que batalham de verdade pelo Hip Hop do Rio de Janeiro são gratos ao CEMINA e aos seus parceiros: REDEH, VIVA RIO, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, DYAK PRODUÇÕES, TROCANDO IDÉIA, BOCADA FORTE e a SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO. Espero que outras atividades como essa sejam realizadas e a tão almejada unidade seja encontrada de fato.
Ainda orgulhoso do resultado e ainda mais confiante no futuro, fico sabendo de um artigo escrito por um “jornalista” para a revista Veja. Sou favorável às críticas e à liberdade de expressão, porém acredito que para isso deve-se estar minimamente embasado; e o “renomado” mostrou que não está ou, se está, age motivado por outros interesses. Em alguns pontos, ele até consegue tentar resumir o que pensa o cidadão fluminense, mas isso é por pouco tempo, pois já em seguida literalmente enfia os pés pelas mãos ao misturar vários assuntos – cada vez mais acredito que deturpar os fatos seja um traço equivocado na personalidade de muitos jornalistas.
Ao questionar de forma duvidosa a importância da “arte, música, cultura e mídia” como alternativa ao crime, ele mostra a sua ignorância e os seus preconceitos – estes não estão restritos somente a ele, são compartilhados por muitos outros profissionais igualmente embriagados pela soberba, diplomas e conhecimentos que não alteram e nunca alteraram nada. Eles temem a participação dos autodidatas do povo na busca das soluções dos problemas que os afligem.
Pergunto qual a qualificação desse indivíduo para falar e especular sobre o Hip Hop? Para falar de iniciativas como essa? Digo que este não tem capacidade de discernir sobre o que está sendo feito; é neste momento que o caráter, ética e a vontade de se informar fazem a diferença.
Queria ressaltar que muitos dos participantes do seminário Hip Hop na linha de frente contra o tabaco foram extraídos do destino que leva muitos ao crime, e não foram através de idiotas, religiões, ou sei lá mais o que, e sim pela cultura Hip Hop. Esta sim, vital para muitos, resgatando a auto-estima, apontando rumos, resgatando a auto-estima, apontando rumos, informando e educando.
Parece que o ignóbil Diogo não gosta disso. Talvez ele preferisse conhecer alguns dos participantes de outra forma; talvez ele ache melhor que em vez de ver um jovem empunhando um microfone, tentando expor seus pensamentos e sugestões para uma sociedade melhor, uma melhor qualidade de vida (coisa que o ignóbil não faz), este tivesse uma PT .40 carregada apontando para sua cabeça, subjugando-o.
E ele, tomado pelo terror e pelo pânico, enfim saberia como é estar à mercê de um dos produtos dessa sociedade necrosada, gerenciada e conduzida por “pessoas” como ele. Fico pensando como seria, a quem ele clamaria nesse momento; com certeza, choraria e ostentaria, em vez da soberba, aquele olhar esbugalhado dos desesperados.
Mas Diogo irá ficar decepcionado, pois os participantes do seminário vieram ao mundo para contrariá-lo, vieram para mostrar que é possível estar longe da violência, do crime e principalmente nos mentores intelectuais desse estado de caos.
Em vez de propagar merdas, este “jornalista” deveria (se for capaz) compreender a cultura Hip Hop e principalmente a música REP, que é o maior veículo de comunicação das massas excluídas do Brasil, exercendo uma função que deveria ser de pessoas como o jornalista citado, que, preso em sua redoma e em meio aos seus preconceitos, certamente se diverte ao externar sua irresponsabilidade, sua bostialidade. Diogo, sampleando um comercial, digo: está na hora de você rever seus conceitos.
“Fear of a black planet”
Public Enemy
Autor: Def Yuri – Publicado no www.vivafavela.com.br | 01/05/2003 | Seção: Def Yuri