Lutar e lutar
Maio 15, 2008
Lutar! Uma expressão forte que para mim significa transpor todos os obstáculos e oponentes em busca de um objetivo – seja este individual ou coletivo. É dar murro em ponta de faca e acreditar que, mesmo nas situações mais adversas e perante o intransponível, o objetivo (meta) será atingido, tudo isso movido a determinação, obstinação e esperança.
Vocês já pararam para pensar quantos lutaram, lutam ou lutarão para que possamos coexistir e persistir nesse sonho de uma verdadeira mudança?
Às vezes, lutar dói – e como dói… Às vezes, essa dor dilacera a alma: é a dor das lembranças da escravidão, das torturas sem fim nas suas constantes idas e vindas, do descaso, da impotência perante o mundo real que transcende o surreal, do comprometimento forçado… Quase sempre essa dor nos leva às lágrimas (que não são as da derrota).
Esse mundo é habitado por centenas, milhões de pessoas que formam uma massa excluída de tudo. E, quase sempre, isso tudo ou tudo isso é ignorado por uns poucos… e esses poucos estão no (s) controle (s). Será que eles, na sua promíscua fusão, conseguirão impedir a insurreição dos descontrolados? Esse descontrole é lutar ou lutar. Só os dominados, alienados, desgraçados e coniventes são insensíveis a isso.
O despertador já tocou faz tempo – o sono do medo é poderoso, porém é possível finalizar morfeu com um arm-lock ou amassa-pão e enfim acordar – basta querer ou entender que a indignação deve ser exposta e usada não só como combustível, mas também como antídoto.
A ordem de todos os dias deve ser lutar e lutar sem trégua. Vez por outra, lutamos em coletivo (não, eu não falo de brigas em ônibus). Porém, isso não significa que estejamos livres da solidão, também não significa que estejamos sós.
Cada indivíduo é uma força e. se uma conjunção de forças for criada e o foco bem direcionado, como dizem nas ruas do Rio, um abraço!
Então deixem de frouxidão, vamos lutar para viver, viver para lutar, a ordem não importa. O mais importante é a ação, é a atitude… Devemos resistir a tudo aquilo que nos oprime, sem receio de sermos mal interpretados, sem receio de que esse ato seja uma sentença que nos condene por lutarmos pelos nossos sonhos.
Os nossos sonhos não podem ser impedidos, e as lutas, como disse anteriormente, são sem trégua.
“As nossas rimas se transformam em pedras, e essas pedras abrem os caminhos a serem percorridos. É a resistência contra a força, é a força da nossa resistência.”
Autor: Def Yuri – Publicado no www.vivafavela.com.br | 17/07/2002 | Seção: Def Yuri