Funkbras ou Funkbrax?

Maio 12, 2008

As pessoas continuam confundindo funk com hip hop. Claro que alguns adeptos do hip hop se assemelham aos do funk, mas basicamente as semelhanças são só duas: o oxigênio respirado e a origem. Funk é funk. Hip hop é hip hop. Da mesma forma que samba é samba e MPB é MPB. São diferentes gêneros musicais. Se os estudiosos resolverem pesquisar a fundo, entenderão.

O funk toma conta do Brasil. A todo momento, nos programas de TV, nas rádios e nas ruas ouvimos esse ritmo. Porém, com a ascensão, vem a polêmica. Questionam as músicas, a dança, as letras, enfim, questionam tudo! Falsos moralistas de plantão fazem campanha contra e o governo, através da Justiça, dá início à perseguição. É o verdadeiro Brasil que mostra a cara: um Brasil preconceituoso, elitizado, que não admite o diferente, que questiona o linguajar, mas não se preocupa com o sucateamento da educação do país… Mas campanha negativa por quê? O governo devia apoiar, já que o funk exerce um papel favorável ao Estado por levar à aculturação e incitar o conformismo e até a negação.

Assim, podemos nos questionar: por que incomoda? A resposta é simples: incomoda porque já não são mais só os favelados que estão sob controle, agora as classes mais abastadas também. Os “filhos do poder” estão dominados e os filhos do povo, ainda mais ferrados – obviamente o tratamento é diferenciado.

A imagem vendida é de um Brasil democrático, bonito por natureza, onde os povos convivem felizes, abençoados por Deus. Dessa forma, o funk é o ritmo perfeito, pois nele não se encontram reivindicações nem lamentos. É apenas diversão e lazer, opções que recebem um grande investimento governamental, um investimento zero. Então é jogo. O Estado não investe em educação, nem cultura, esporte ou lazer; não investe em nada neste sentido.

Cuidado, donos de equipes de funk! Suas equipes em breve serão cooptadas pelo Estado e então criarão uma agência que regulamentará os serviços (provavelmente a ANAFUNK). Haverá uma forte campanha na mídia, entre outras coisas. Eu aposto que os escândalos em bailes sumirão, menos os de um, o do “Castelo das Feras” (o Congresso Nacional), onde os bondes de ACM “Malvadeza” e Jader “Neurose” se engalfinharão.

 

Nesse baile, o povo não entra, nem entrará, mas reconhecerá os gritos de guerra, a dança dos bundinhas e uma música que já está ficando conhecida, de um tal MC Fernandinho Bolado: “Medida provisória, aha uhu! Eu meto a canetinha e o povão entra na linha!” entre outros sucessos… Perguntar não ofende: quem será a mãe loura dessa parada? 

Autor: Def Yuri – Publicado no www.vivafavela.com.br | 12/04/2001 | Seção: Def Yuri

 

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