Ao Mestre
Maio 12, 2008
Para a estréia desta coluna, havia preparado um outro texto. Porém, a indignação que me atingiu no último dia 29 mudou meus planos. E não posso me calar. Se vocês ainda não entenderam, estou me referindo ao brutal assassinato do Mestre Santa Rosa, um homem que viveu para o boxe. Aquele senhor de 85 anos era o próprio retrato do boxe brasileiro, era um guerreiro que, apesar das dificuldades, nunca deixou de acreditar na Nobre Arte.
Sinto sua morte, principalmente, porque na véspera de seu desaparecimento pude passar algumas horas com o Mestre. Ele participou do evento “Mãe, desarme seu filho” e era nítida sua alegria em ver um ringue montado na comunidade do Parque União, no Complexo da Maré, Rio de Janeiro. Havia a expectativa de assistir aos jovens lutadores do projeto “Luta pela Paz”, que pela primeira vez lutariam em sua própria comunidade.

Durante as lutas, não consegui vê-lo, e nem o veria mais. Tenho certeza de que ele gostou de ver a multidão que compareceu para prestigiar as lutas. Uma batalha em prol do boxe e da paz foi vencida, mas não a guerra.
Algumas horas depois, dois ex-alunos foram à sua casa. É claro que não tinham assimilado sequer um mínimo dos ensinamentos do Mestre. Com um tiro, ceifaram a vida de Santa Rosa, apagando a chama de um dos ícones do esporte brasileiro.
Espero que os mandatários deste país reconheçam agora o que se esforçaram para não ver enquanto o Mestre estava entre nós e assumam o que ele fazia sozinho.
Seu nome está escrito na galeria dos grandes batalhadores e defensores do esporte nacional.
Mestre Santa Rosa, em meu nome e em nome de todos aqueles que praticam ou apreciam as mais diferentes artes marciais, não só o boxe, digo muito obrigado. E é por isso que dedico a você este artigo.
Autor: Def Yuri - Publicado no www.vivafavela.com.br | 06/04/2001 | Seção: Def Yuri